50 Anos de Realismo: veja as obras do CCBB | Diário do Porto


Exposição

50 Anos de Realismo: veja as obras do CCBB

Exposição sobre os 50 anos do realismo – do fotorrealismo à realidade virtual – deixa visitante perplexo diante da confusão entre fotografia e pintura

19 de maio de 2019

Obra de Pedro Campos

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Mais uma exposição vai dar o que falar e pensar no CCBB: “50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual“. A  inauguração é dia 22, quarta, com obras que deixarão o visitante em dúvida cruel: é pintura ou fotografia? É real ou escultura?

A proposta da curadora brasileira Tereza de Arruda, radicada em Berlim, é apresentar um panorama internacional da representação da realidade na arte contemporânea. O período engloba cinco décadas, do surgimento do fotorrealismo, passando pelo hiper-realismo até a realidade virtual.

A mostra é patrocinada pelo Banco do Brasil, com apoio da Cateno e do Banco Votorantim. A coordenação geral é da Prata Produções, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

Tereza de Arruda selecionou 92 trabalhos, datados dos anos 1970 a 2018, de técnicas diversas de 30 artistas. Destes, cinco são brasileiros, e 25, estrangeiros. São de gerações e nacionalidades variadas, radicados na América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa.

A viagem começou ao fim dos anos 1960, quando jovens artistas que trabalhavam nos Estados Unidos começaram a fazer pinturas realistas baseadas diretamente em fotografias. Eles retratavam objetos com muitos detalhes, assim como pessoas e lugares que definiam a vida urbana e rural. Essa produção recebeu rótulos diferentes, entre eles Fotorrealismo.

Ao contrário dos artistas pop, os fotorrealistas não ironizavam seus temas, entre eles vitrines brilhantes, carros, plásticos de cores berrantes e cenários do campo e da cidade. Posicionavam-se fiéis à reprodução na tela, no papel ou na escultura do que lhes servia como fonte.

A curadora Tereza de Arruda explica que o surgimento do fotorrealismo, com pinturas baseadas na representação de cenas fotografadas, foi nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970. Foi uma reação ao abstracionismo vigente. O hiper-realismo apareceu como uma tendência da pintura no fim da década de 1970. “Chegou amparada na realidade, ainda mais fiel que a própria fotografia. Sua força de expressão é tão significativa que se dissemina até os dias de hoje“, diz Arruda.

Mesmo com a reprodução instantânea da realidade pelas câmeras digitais hoje, essas pinturas e esculturas ainda são fascinantes pela precisão dos artistas. Essa tentativa de “congelar” o momento e apreciá-lo eternamente em sua exatidão é um dos motivos de apreciação e difusão do hiper-realismo. Ali não há os efeitos da passagem do tempo e “a permanência é a condição da grande arte”, avalia o autor inglês Clive Head.

Circuito

São nomes grandiosos. A mostra é dividida em segmentos. O “histórico” é tem Ralph Goings, Richard McLean, John Salt e Ben Schonzeit. Já o contemporâneo é representado por Javier Banegas, Paul Cadden, Pedro Campos, Rafael Carneiro, Andrés Castellanos, Hildebrando de Castro, François Chartier, Ricardo Cinalli, Simon Hennessey, Ben Johnson, David Kessler, Fábio Magalhães, Tom Martin, Raphaela Spence, Antonis Titakis e Craig Wylie.

Realismo: obra de Fábio Magalhães
Obra de Fábio Magalhães: para deixar o visitante perpexo (divulgação)

 

A tridimensionalidade tem John DeAndrea, Peter Land e Giovani Caramello. E ainda tem o segmento de novas mídias, por Akihiko Taniguchi, Andreas Nicolas Fischer, Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Sven Drühl, The Swan Collective e Regina Silveira.

Já no térreo do CCBB estão esculturas/instalações do dinamarquês Peter Land, em que o ser humano é a figura central. Mais três artistas ocupam a área da rotunda Craig Wylie [de Zimbábue, radicado no Reino Unido) é premiado pela profundidade psicológica de seus retratos; o inglês Simon Hennessey pinta rostos mais detalhados do que o que a fotografia poderia oferecer ao espectador.

 


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No centro da rotunda o visitante depara-se com uma figura humana maior do que o tamanho real, do jovem paulista Giovani Caramello. Foi feita especialmente para esta exposição. Autodidata, Caramello iniciou a carreira com modelagem 3-D e se tornou o único escultor brasileiro com produção hiper-realista.

O circuito segue para o segundo andar do centro cultural, ocupando mais quatro salas. O conjunto de trabalhos está subdividido em retrato, natureza-morta, paisagem natural, paisagem urbana e novas mídias.

Um espaço concentra obras de artistas seminais do fotorrealismo e do hiper-realismo como os norte-americanos Ralph Goings, Richard McClean, Ben Schonzeit, John DeAndrea e o inglês John Salt. Pinturas ou esculturas, as representações são tão realistas que podem causar um certo desconforto pela proximidade entre o “ser” e o “parecer”.

Uma das salas reúne o gênero do retrato, recorrente no fotorrealismo e no hiper-realismo. A maioria dos artistas se baseia em modelos que eles mesmos fotografam. As pessoas costumam ser retratadas sem uso de recursos adicionais para manter sua essência, mas há margem para a subjetividade. As pinturas ou desenhos do zimbábue Craig Wylie, do baiano Fábio Magalhães, do escocês Paul Cadden, do argentino Ricardo Cinalli e do inglês Simon Hennessey são exemplos.

No século XX, a pintura realista precisou se impor e se defender da ascensão da fotografia contemporânea. Os pintores passaram a incorporar a fotografia como recurso para tornar seus retratos mais precisos. O fotorrealismo e o hiper-realismo fascinam porque o real demanda fidelidade rigorosa a seu contexto. Um dos segmentos da mostra é o que junta natureza-morta e paisagem naturalista ou urbana.

Estes temas são cultivados há 50 anos mundo afora, como se pode ver pela diversidade de procedência dos artistas: o canadense François Chartier, os espanhois Pedro Campos e Javier Banegas, o inglês Tom Martin, o paulista Rafael Carneiro e o galês Ben Johnson exibem naturezas mortas. O espanhol Andres Castellanos, o grego Antonis Titakis, a inglesa Raphaella Spence, o pernambucano Hildebrando de Castro e o norte-americano David Kessler mostram paisagens.

A exposição também traz experiências com realidade mista, realidade expandida e realidade virtual do japonês Akihiko Taniguchi, dos alemães Andreas Nicolas Fischer e Bianca Kennedy, da francesa Fiona Valentine Thomann, do bahamense Sven Drühl, de The Swan Collective [liderado pelo alemão Felix Kraus] e da gaúcha Regina Silveira.

O Rio de Janeiro é a terceira e última praça percorrida pela mostra, que recebeu mais de 240 mil visitantes nos CCBBs São Paulo e Brasília.

Catálogo

Acompanha 50 anos de Realismo, do fotorrealismo à realidade virtual uma publicação bilíngue [portugês e inglês] de 187 páginas, com textos de Tereza de Arruda, Boris Röhrl, Maggie Bollaert e Tina Sauerländer, e reprodução de todas as obras em exibição.

Conversa com o público

Dia 22 de maio [quarta-feira], às 18h30h, o CCBB Rio promove um bate-papo sobre realismo na contemporaneidade aberto ao público. Participam a curadora Tereza de Arruda, os artistas Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Hildebrando de Castro, Rafael Carneiro, Regina Silveira, Ricardo Cinalli, The Swan Collective e a consultora Maggie Bollaert.

Serviço

‘50 anos de Realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual’

Curadoria Tereza de Arruda

22 de maio a 29 julho de 2019

Quarta a segunda, 9 às 21h

Classificação indicativa: livre

Entrada franca

CCBB Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março 66

Centro – 20010-000 – Rio de Janeiro – RJ

21 3808 2020 | ccbbrio@bb.com.br

Informações sobre acessibilidade, estacionamento e outros serviços: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/rio-de-janeiro


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