20 anos após desastre da Petrobras, Mangue Vivo luta pela Baía | Diário do Porto

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20 anos após desastre da Petrobras, Mangue Vivo luta pela Baía

Há 20 anos, rompimento de duto da Petrobras despejou 1,3 milhão de litros de óleo na Baía. Da tragédia surgiram ONGs como o Mangue Vivo

11 de fevereiro de 2020


Projeto Mangue Vivo dedica-se a salvar as vidas no fundo da Baía de Guanabara


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Há 20 anos, em janeiro de 2000, o mundo ficou chocado com o derramamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível na Baía de Guanabara. Um duto da Petrobras se rompeu e produziu uma mancha de 40 quilômetros quadrados, contaminando o espelho d’água da Baía. Famílias que viviam da pesca viram suas atividades prejudicadas, assim como a vegetação de mangue no entorno da Baía. Imagens de animais cobertos de óleo no distrito de Mauá, em Magé, foram capas dos jornais na época.

Por um dos piores desastres ambientais do país, a Petrobras pagou multa de R$ 35 milhões ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Diante da tragédia, era difícil acreditar em uma recuperação da flora e fauna locais. Entretanto, o mesmo homem que destrói é capaz de reconstruir. Muitas organizações não governamentais (ONGs) dedicam-se há anos a trabalhar para salvar as margens da Baía de Guanabara.

Projeto Mangue Vivo

Um ano após o vazamento do óleo na Baía de Guanabara, o Instituto OndAzul, ONG fundada pelo astro Gilberto Gil e pelo ambientalista Alfredo Sirkis, deu início ao projeto Mangue Vivo. A ação visava recuperar os manguezais da região e mobilizou acadêmicos, ambientalistas, biólogos e voluntários, sensibilizados com as consequências da tragédia.

A atuação do instituto envolveu o desenvolvimento de três processos: preparação da área, replantio de mudas e a limpeza constante da área, que recebe grande parte da sujeira do Rio e da Baixada Fluminense. O Mangue Vivo reflorestou 90 hectares do ecossistema, equivalentes a 90 campos de futebol. O local hoje é uma unidade de conservação municipal, com o ressurgimento de espécies ameaçadas de extinção. Tornou-se destino de visitações de escolas, turistas e pesquisadores.


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Para Ricardo Farias, conselheiro e coordenador de Projetos do Instituto OndAzul, projetos socioambientais são capazes de promover o desenvolvimento sustentável de uma região degradada, e também de elevar a autoestima de uma comunidade. “Além de todo o trabalho de reconstrução dos manguezais, o OndAzul investiu em educação ambiental de jovens moradores do entorno. A ideia era promover uma ação com resultados a longo prazo, empoderando essas pessoas para a construção de um novo futuro”, explica.

Adeimantus da Silva
Adeimantus: ‘respeitar os seres vivos’

Futuro este que, para o pescador Adeimantus da Silva, já chegou. Voluntário do projeto, o residente do município de Magé conta que sua família perdeu tudo o que tinha após o desastre na Baía de Guanabara. Ao saber da ação, não pensou duas vezes e decidiu participar, tornando-se um especialista em reflorestamento de mangue. “O projeto me ensinou a lidar com a vida, entender como são belos os ecossistemas marinhos e terrestres, e que, na vida, nós temos que respeitar todos os seres vivos. Antes do derramamento, eu era um simples pescador, hoje eu sou reconhecido e coordeno o Parque Natural Municipal do Barão de Mauá”, afirma.