Veja a letra dos sambas das 14 escolas do Grupo Especial | Diário do Porto


Carnaval

Veja a letra dos sambas das 14 escolas do Grupo Especial

Veja os enredos e os sambas das 14 escolas do Grupo Especial 2019. Desfile começa neste domingo às 21h15 e vai até a madrugada de terça-feira.

3 de março de 2019

“Quem não viu vai ver...As fábulas do Beija-flor” é o enredo da atual campeã em 2019 (Foto: Raphael David/Riotur)

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Começa hoje a maior espetáculo mundial do Carnaval: o desfile das escolas de samba do Grupo Especial. A partir das 21h15, quando a Império Serrano entrar na Avenida Marquês de Sapucaí, as atenções se voltam para o Sambódromo do Rio de Janeiro. E assim continuam até a tarde da Quarta-Feira de Cinzas, quando são abertos os envelopes com as notas dos jurados e começa os preparativos do Desfile das Campeãs, no próximo sábado. 

O DIÁRIO DO PORTO conta um pouquinho das 14 escolas que desfilam hoje e amanhã. Saiba qual será o enredo de cada uma este ano e também o samba, para você acompanhar o desfile cantando com os foliões e sabendo das coisas. Para saber mais sobre cada escola, clique no nome e veja a matéria em nosso Guia Maravilha.

Domingo, 3 de março

Desfile de Carnaval da Unidos do Viradouro em 2018
A Viradouro abre os desfiles do Grupo Especial com homenagem a Gonzaguinha (Foto: Divulgação)

O Império Serrano abrir os desfiles do Grupo Especial com um enredo que fala sobre o mistério da vida, além de homenagear a famosa música de Gonzaguinha. Com o tema “O que é, o que é?”, do carnavalesco Paulo Menezes, a avenida terá como Hino a própria canção, do álbum Caminhos do Coração de 1982.

O que é, o que é?

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser

Um eterno aprendiz

Ah meu Deus! Eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede

Que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita

E a vida…

E a vida o que é?

Diga lá, meu irmão

Ela é a batida de um coração

Ela é uma doce ilusão

Êh! Ôh!

E a vida…

Ela é maravilha ou é sofrimento?

Ela é alegria ou lamento?

O que é, o que é, meu irmão?

Há quem fale que a vida da gente

É um nada no mundo

É uma gota, é um tempo

Que nem dá um segundo

Há quem fale que é um divino mistério profundo

É o sopro do criador

Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer

Ele diz que a vida é viver

Ela diz que melhor é morrer

Pois amada não é

E o verbo é sofrer

Eu só sei que confio na moça

E na moça eu ponho a força da fé

Somos nós que fazemos a vida

Como der, ou puder, ou quiser

Sempre desejada

Por mais que esteja errada

Ninguém quer a morte

Só saúde e sorte

E a pergunta roda

E a cabeça agita

Fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita


  • 22h20 – Unidos do Viradouro

A Vermelha e Branca de Niterói, que esteve na Série A, retorna este ano para o Grupo Especial. Quem também está de volta é Paulo Barros, que levará à Sapucaí o enredo “Viraviradouro”. O enredo fala sobre a imaginação e histórias fantásticas que fazem parte da infância.

Viraviradouro

Quem me viu chorar

Vai me ver sorrir

Pode acreditar, o amor está aqui

Viraviradouro iluminou

O brilho no olhar voltou

Se tem magia, encanto no ar

Eu vou viajar ouvindo histórias

De um livro secreto

Mistérios sem fim

Vovó desperta a infância em mim

Em cada conto sou mais um menino

Que muda a sorte e sela o destino

Lançado o feitiço pra vida virar

Pro bem ou pro mal é carnaval

E na fantasia

A minha alegria é um sonho real

No reino da ilusão

O amor seduz o vilão

Num conto de fadas, a felicidade

Encanta o meu coração pra cantar

Deixando a tristeza do lado de lá

E quem ousou desafiar a ira divina

Vagou no mar

Cego pela sede da ambição

Carregando a sina dessa maldição

Seres da sombria madrugada

O medo caminhou na escuridão

Mas a coragem que me faz lutar

É a esperança, razão de sonhar

Imaginar e renascer

No Sol de cada amanhecer

Das cinzas voltar

Nas cinzas vencer


O enredo da Grande Rio, “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”, vai falar sobre educação, maus hábitos e o “jeitinho brasileiro”. O casal Márcia e Renato Lage foi responsável pelo enredo da tricolor de Duque de Caxias.

Quem nunca…? Que atire a primeira pedra!

Tá errado não importa quem errou

O pecado e o pecador

Sempre estão do mesmo lado

Tá errado, sem lição nem professor

Se o espinho fere a flor

O amor é maculado

No jeitinho que impera nessas bandas

É mais fácil o mau caminho pra jogar no tabuleiro

Na verdade do espelho

Quando a razão desanda

Vai seguindo em desalinho

Mesmo com o sinal vermelho

Atire a primeira pedra aquele que não erra

Quem nunca se arrependeu do que fez

Na vida todo mundo escorrega

Melhor se machucar só uma vez

Cardume de garrafas pelo mar

Nem tarrafa nem puça alimentam o pescador

E a cisma de atender o celular

Pra curtir, compartilhar

Zombar do perigo, largar o amigo, perder o pudor

Quem aí ta podendo julgar?

Não consegue ouvir outra voz

Cada um foi pensando em si

Olha o que fizemos de nós

Então pegue seu filho nas mãos

Educar é um desafio Se errei peço perdão

Renasce a Grande Rio

Quem nunca sorriu da desgraça alheia?

Quem nunca chorou de barriga cheia?

Eu sou Caxias de tantos carnavais

Falam de mim, eu falo de paz


Desfile Salgueiro 2012
Salgueiro vai homenagear Xangô (Foto: DiPo)

Orixá do fogo e da justiça, Xangô será o homenageado pelo Salgueiro, que vai pedir ao seu padroeiro que seja implacável com os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. A Vermelha e Branca leva para a Avenida um enredo do carnavalesco Alex de Souza e contará a devoção à entidade, responsável por uma batalha contra o mal e pela justiça.

Xangô

Vai trovejar!

Abram caminhos pro grande Obá

É força, é poder, o Aláàfin de Oyó

Oba Ko so! Ao Rei Maior

É pedra quando a justiça pesa

O Alujá carrega a fúria do tambor

No vento, a sedução (Oyá)

O verdadeiro amor (Oraiêiêô)

E no sacrifício de Obà (Obà Xi Obà)

Lá vem Salgueiro!

Mora na pedreira, é a lei na Terra

Vem de Aruanda pra vencer a guerra

Eis o justiceiro da Nação Nagô

Samba corre gira, gira pra Xangô

Rito sagrado, ariaxé

Na igreja ou no candomblé

A benção, meu Orixá!

É água pra benzer, fogueira pra queimar

Com seu oxê, chama pra purificar

Bahia, meus olhos ainda estão brilhando

Hoje marejados de saudade

Incorporados de felicidade

Fogo no gongá, salve o meu protetor

Canta pra saudar, Opanixé kaô!

Machado desce e o terreiro treme

Ojuobá! Quem não deve não teme

Olori xango eieô

Olori xango eieô

Kabesilé, meu padroeiro

Traz a vitória pro meu Salgueiro


A azul e branca da Baixada levará para a Sapucaí o enredo “Quem não viu vai ver…As fábulas do Beija-flor”. A atual campeã vai comemorar os 70 anos de história na Avenida. O tema foi desenvolvido pela comissão de Carnaval, formada por Cid Carvalho, Victor Santos, Bianca Behrends, Leo Mídia e Rodrigo Pacheco.

Quem não viu vai ver…As fábulas do Beija-flor

Oh Deusa!

Tem festa no meu coração

Desfilo toda gratidão

Razão do meu cantar

A luz do meu viver

O que seria de mim sem você?

Nascido feito rei menino

Em ninho de amor e humildade

Meu Pai direcionou o meu destino

Voar nas asas da felicidade

E arrisquei um voo nesse lindo azul

Um mundo encantado pude recordar

Em fábulas bordei a fantasia

Ê saudade que mareja o meu olhar

Herdeiro dessa terra me tornei

Cantei nossos recantos, tradições

Sou eu aquele festival de prata

Que na pista arrebata tantos corações

Ôôô Axé que no sangue herdei

No meu quilombo, todo negro é rei

Abre a senzala! Abre a senzala!

Nesse terreiro o samba é a voz que não cala

Cresci, ouvindo acordes entre doces melodias

A bela dama retratada em poesia e o canto de cristal

A simplicidade no amor, aquele beijo na flor

Fez mais um sonho real

Pátria amada da ganância

Eu pedi socorro pelos filhos teus

Algoz da intolerância

Mesmo proibido, fui a voz de Deus

Toda essa grandeza, vem da nossa gente

Que esquece a dor e só quer sambar

É por esse amor

Quero meu valor me faz brilhar

Comunidade me ensinou

A ser apaixonado como eu sou

Ontem, hoje, sempre Beija-Flor


Uma das mais famosas marchinhas de Carnaval vai marcar o desfile da Imperatriz. “Me dá um dinheiro aí” é o título do enredo da sexta escola a desfilar no primeiro dia de apresentações do Grupo Especial. O enredo fala sobre o dinheiro, com uma crítica bem-humorada sobre ambição e política. O desenvolvimento ficou a cargo dos carnavalescos Kaká e Mário Monteiro.

Me dá um dinheiro aí

Me dá, me dá, me dá me dá um dinheiro aí

Gostei da comissão, me dá meu faz-me rir

Pra investir no sonho e vestir a fantasia

Quero renda na baiana, nota 10 na bateria

A tentação seduziu a poesia

Da volta todo dia é a oferta e a demanda

Pecado capital da humanidade

Senhor da desigualdade

Sempre diz quem é que manda

O arqueiro ergueu, aquela gente oprimida e sem paz

Perdeu meu bem, pobre fortuna, nobres ideais

Midas com o seu dedo de ouro

Condenou a própria filha a viver numa prisão

Prata, pixulé, papel moeda e o homem escorrega

Mete o pé na ambição

Troca-troca ê na beira da praia

Troca-troca ê na beira da praia

Um espelho por cocar, o negocio é um pecado

Ouro no mercado negro, negro é ouro no mercado

Tempos modernos, onde vidas valem menos

Boas ações não representam dividendos

A roda gira pro mais forte, poucos tem a sorte

De virar o jogo que o destino fez

Tem pato mergulhado no dinheiro

E o povo brasileiro nada por migalhas outra vez

Se é pra poupar

O porquinho pode até ser virtual

Haishtag no infinito, com cascalho

Eu to bonito no espaço sideral

Imperatriz, sentimento não tem preço, tem valor

Eu não vendo e não empresto

O meu eterno amor


Através dos “olhos” do pavão, animal que traz a visão de Deus pela alma e elimina o mal com suas garras, a Unidos da Tijuca vai passar uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história e simbologia do pão. Assim como no pavilhão tijucano, o pavão guiará a escola a revelar a trajetória do alimento mais popular do planeta. Encerrando a primeira noite de desfiles, o Borel levará o enredo “Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome”.

Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome

Hoje a Tijuca pede em oração

Veste a fantasia pra fazer o bem

Multiplica o sagrado pão

Amém (amém)

Meu filho

Como é lindo o amanhecer

Reflete o Sol, a criação

Um bom dia a renascer

Pelos olhos do pavão

Sou a fé na vida

Esperança da massa

Aquele que na dor te abraça

Sou eu, a verdade pra quem pede luz

Carregando a sua cruz

O alimento em comunhão

Princípio da salvação

Ouço chamar meu nome

Ouço um clamor de prece

Choro ao te ver com fome

Sou o cordeiro que a alma fortalece

Só existe um caminho (por favor)

Cada um faz seu destino (meu senhor)

As migalhas do poder que o diabo amassou

Estão dentro de você

As mãos unidas vem pedindo o perdão

Gente sofrida com a paz no coração

Dividem o pouco que tem pra comer

Ó meu pai o seu amor é a receita

Iluminai, que não me falte o pão na mesa

Derrame igualdade, prosperidade

As bênçãos do céu

Se Deus é por nós, escute a voz

Que vem do meu Borel




Segunda, 4 de março

Desfile da São Clemente
São Clemente vai politizar a avenida em 2019 (Foto: Gabriel Monteiro/Riotur)

A São Clemente apresentará um enredo crítico: “E o samba sambou”, uma releitura de seu desfile de 1990. O enredo desenvolvido por Carlinhos D’Andrade, Roberto Costa e César Azevedo ganha moldes atuais com a visão do carnavalesco Jorge Silveira. É uma crítica bem-humorada à mercantilização do samba, que vai relembrar, com saudade, os carnavais de antigamente.

E o Samba Sambou…

Vejam só!

O jeito que o samba ficou e sambou

Nosso povão ficou fora da jogada

Nem lugar na arquibancada

Ele tem mais pra ficar

Abram espaço nesta pista

E por favor não insistam

Em saber quem vem aí

O mestre-sala foi parar em outra escola

Carregado por cartolas

Do poder de quem dá mais

E o puxador vendeu seu passe novamente

Quem diria, minha gente

Vejam o que o dinheiro faz

É fantástico!

Virou Hollywood isso aqui (isso aqui)

Luzes, câmeras e som

Mil artistas na Sapucaí

Mas o show tem que continuar

E muita gente ainda pode faturar

Rambo-sitores, mente artificial

Hoje o samba é dirigido com sabor comercial

Carnavalescos e destaques vaidosos

Dirigentes poderosos criam tanta confusão

E o samba vai perdendo a tradição

Que saudade

Da Praça Onze e dos grandes carnavais

Antigo reduto de bambas

Onde todos curtiram o verdadeiro samba


A Coroa da Vila vai encontrar a Coroa Imperial neste Carnaval. Assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, o tema intitulado “Em nome do Pai, do Filho e dos Santos, a Vila canta a cidade de Pedro” homenageará a cidade de Petrópolis.

A segunda escola a se apresentar na segunda saudará e contará o legado da cidade construída por imigrantes que se consagrou como a cidade imperial. O enredo conta como a cidade é construída e termina com a celebração da Princesa Isabel, que dá origem ao bairro de Noel Rosa, a Vila Isabel.

Em nome do pai, do filho e dos santos, a Vila canta a cidade de Pedro

Viva a princesa!

E o tambor que se não cala

É o canto do povo mais fiel

Ecoa meu samba no alto da serra

Na passarela com os herdeiros de isabel

Vila

Te empresto meu nome

Fonte de tanta nobreza

Por Deus e todos os santos

Honre a tua grandeza

E subindo pertinho do céu

A névoa formava um véu

Lembrei de meu pai, minha fortaleza

Esculpida em pedras

Pedros e coroados

Com os seus guardiões

Protetores de raro esplendor

Luar do imperador

Meu olhar lacrimejou

Em águas tão cristalinas

Uma cidade divina

Bordada em nobre metal

A joia imperial

Petrópolis nasce com ar de versalhes

Adorna a imensidão

A luz assentou o dormente

Fez incandescente a imigração

No baile de cristal o tom foi redentor

Em noite imortal

Floresceu um novo dia

Liberdade enfim raiou

Não vi a sorte voar ao sabor do cassino

Segundo o dom que teceu o destino

Meu sangue azul no branco desse pavilhão

O morro desce em prova de amor

Encontro da gratidão


A escola homenageará a cantora Clara Nunes, destacando a diversidade e a atualidade de sua biografia e do seu repertório. “Na Madureira Moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá” é desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães.
A escola vai abordar a brasilidade da cantora. Aspectos de sua vida a religiosidade, o seu jeito de vestir e sua identificação com o samba e o povo de Madureira serão exaltados. 
Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar Uma Sabiá

Axé, sou eu
Mestiça, morena de Angola, sou eu
No palco, no meio da rua, sou eu
Mineira, faceira, sereia a cantar, deixa serenar
Que o mar de Oswaldo Cruz a Madureira
Mareia a brasilidade do meu lugar
Nos versos de um cantador
O canto das raças a me chamar
De pé descalço no templo do samba estou
É rosa, é renda pra Águia se enfeitar
Folia, furdunço, ijexá
Na festa de Ogum beira-mar
É ponto firmado pros meus orixás, Eparrei!

Eparrei Oyá, Eparrei
Sopra o vento, me faz sonhar
Deixa o povo se emocionar
Sua filha voltou, minha mãe

Eparrei Oyá, Eparrei
Sopra o vento, me faz sonhar
Deixa o povo se emocionar
Sua filha voltou, minha mãe

Pra ver a Portela tão querida
E ficar feliz da vida
Quando a Velha Guarda passar
A negritude aguerrida em procissão
Mais uma vez deixei levar meu coração
A Paulo, meu professor
Natal, nosso guardião
Candeia que ilumina o meu caminhar
Voltei à Avenida saudosista
Pro Azul e Branco modernista eternizar
Voltei, fiz um pedido à Padroeira
Nas Cinzas desta Quarta-feira, comemorar

Nossas estrelas no céu estão em festa
Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá
No canto de um Sabiá, sambando até de manhã
Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã

Nossas estrelas no céu estão em festa
Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá
No canto de um Sabiá, sambando até de manhã
Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã


A Tricolor Insulana desfilará um enredo que une uma proposta lúdica. Ele aproxima a cultura do Ceará com o encontro ficcional de dois ícones da literatura cearense: “A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu”. O encontro entre Rachel de Queiroz e José de Alencar acontece ao longo da apresentação.

A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu

Vixi Maria! A ilha a cantar

Traçando em meus versos a minha alegria

Menina rendeira me ensina a bordar

No céu emoção, no chão simpatia

O Sol

Onde aquece a inspiração é luz

Meu sonho

É vida, vento, brisa à beira mar

Ouvindo poesias de Raquel

Suspiro nas histórias de Alencar

E hoje desfolhando meu cordel

Das lendas que ouvi no Ceará

É doce, é fogo, sabor e prazer

Aroma no ar, plantar e colher

Eu moldei no barro

As recordações que vivi com você

Violeiro toca moda à luz do luar

Sanfoneiro puxa o fole e

Convida a dançar

Vou pedir a Padim Ciço

Abençoe nosso povo

Essa fé a nos guiar

Chão rachado, meu sertão

Peço a Deus pra alumiar

Terra seca que não seca a esperança

Arretada vocação de te amar

O sal da terra segue o meu destino

Sangue nordestino sempre a me orgulhar

A natureza cantada em meus versos

Traduz a beleza desse meu lugar

Linda morena vestiu-se de amor

Teceu a vida com fios dourados

Eu de chapéu de couro e gibão

Enfeitei o meu coração

E a moda desfilou ao seu lado


A vice-campeã do carnaval do ano passado vai apostar mais uma vez em um enredo de cunho político. A escola vai falar sobre a história do bode Ioiô, figura conhecida no Ceará, para protestar contra os rumos da vida pública. “O salvador da pátria”, conta a história do bode Ioiô, que ganhou fama pelas ruas de Fortaleza e vai ser o grande homenageado da Azul e Amarela de São Cristóvão.

O Salvador da Pátria

O meu bode tem cabelo na venta

O Tuiuti me representa

Meu Paraíso escolheu o Ceará

Vou bodejar lá iá lá iá

Vendeu-se o Brasil num palanque da praça

E ao homem serviu ferro, lodo e mordaça

Vendeu-se o Brasil do sertão até o mangue

E o homem servil verteu lágrimas de sangue

Do nada um bode vindo lá do interior

Destino pobre, nordestino sonhador

Vazou da fome, retirante ao Deus dará

Soprou as chamas do dragão do mar

Passava o dia ruminando poesia

Batendo cascos no calor dos mafuás

Bafo de bode perfumando a boemia

Levou no colo Iracema até o cais

Com luxo não! Chão de capim!

Nasceu muderna Fortaleza pro bichim

Pega na viola, diz um verso pra iô iô

O salvador! O salvador! (da pátria)

Ora meu patrão!

Vida de gado desse povo tão marcado

Não precisa de dotô

Quando clareou o resultado

Tava o bode ali sentado

Aclamado o vencedor

Nem berrar, berrou, sequer assumiu

Isso aqui iô iô é um pouquinho de Brasil


Ala das Baianas da Mangueira na Apoteose (foto Aziz Filho)
Mangueira vai citar o nome de Marielle Franco em seu samba-enredo (Foto: DiPo)

Com o objetivo de falar sobre a “História que a história não conta”, a Verde e Rosa promete fazer uma narrativa de “páginas ausentes” da História do Brasil. Para isso, vai repensar narrativas oficiais que foram ensinadas ao longo de gerações para os brasileiros, relembrando a história de negros, índios e pobres que tiveram atos importantes. No samba-enredo, a escola vai citar o nome de Marielle Franco.

O Salvador da Pátria

O meu bode tem cabelo na venta

O Tuiuti me representa

Meu Paraíso escolheu o Ceará

Vou bodejar lá iá lá iá

Vendeu-se o Brasil num palanque da praça

E ao homem serviu ferro, lodo e mordaça

Vendeu-se o Brasil do sertão até o mangue

E o homem servil verteu lágrimas de sangue

Do nada um bode vindo lá do interior

Destino pobre, nordestino sonhador

Vazou da fome, retirante ao Deus dará

Soprou as chamas do dragão do marHistória pra ninar gente grande
Mangueira, tira a poeira dos porões

Ô, abre alas pros teus heróis de barracões

Dos Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões

São verde e rosa as multidões

Brasil, meu nego

Deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo

A Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500

Tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara

E a tua cara é de cariri

Não veio do céu

Nem das mãos de Isabel

A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil, chegou a vez

De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês


O tempo vai virar pauta no desfile da Mocidade, que vai mostrar a relação entre a humanidade e a contagem da passagem dele. A escola apresentará o enredo “Eu Sou o Tempo. Tempo é Vida”, do carnavalesco Alexandre Louzada, e falará sobre o tempo e suas engrenagens.

Eu Sou o Tempo. Tempo é Vida

Senhor da razão, a luz que me guia

Nos trilhos da vida escolhi amar

Estrela maior, paixão que inebria

Eu conto o tempo pra te ver passar

Olha lá, menino tempo

Tenho tanto pra contar

Era eu, guri pequeno

Pés descalços, meu lugar

Quando um toco de verso (ôôô)

Semeou a poesia (ê láiá)

Eu colhi a flor da idade

Vi na minha Mocidade

O raiar de um novo dia

Baila no vento, deixa o tempo marcar

Nas viradas dessa vida

Vou seguir meu caminhar

Ah! Quem me dera o ponteiro voltar

E reencontrar o mestre na avenida

Desmedido coração

No contratempo dessa ilusão

Ora machuca, ora cura dor

Do meu destino, compositor

Tempo que faz a vida virar saudade

Guarda minha identidade

Independente relicário da memória

Padre Miguel, o teu guri já não caminha tão depressa

Mas nunca é tarde pra sonhar

Vamos lá, a hora é essa!


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